Medo - Por Adriana Tavares



Era medo quando olhei pra trás, e era medo também quando me defrontei com o que havia pela frente.
Havia medo em deixar partir e em buscar algo novo.
Porque fui moldada nas bases mais profundas de resistir ao desconhecido e de abandonar o que me pertence em conhecimento, como uma ligação extracorpórea que tenho às sombras da caverna, e nem ouso olhar com todos os sentidos, por medo de permanecer imóvel no tempo.
Ainda me estremeço e ruborizo com o futuro, ainda me debruço em devaneios ao passado e sem ter aonde ir me afundo na ansiedade pulsante do pavor.
Coração latejante e quase enérgico me causa desconforto, como se fosse desidratar de tanto que minha pele chora em agonia.
Não sabendo explicar porque sinto isso apenas sinto, o medo; aquele medo que vi anteriormente na infância das impressões recém experimentadas.
E dessas experiências aprendi a temer, a não querer, a desconfiar, a resistir, e também a não aprender outras coisas, apenas esconder de mim mesma a vivência de outras situações, com medo delas me transportarem novamente ao que vivi e me paralisou.
Mas sei que dentro do espectro vibrante de multi possibilidades que minha mente é capaz de produzir posso resgatar memórias que me levem adiante, mesmo que o medo ainda segure em minha mão de jeito forte e impositor.
Decido segurar na mão desse medo e na outra mão seguro um quê de sei lá o quê, mas um quê que me impulsiona. Sinto-me como numa balança emocional e o riso nervoso se instala em meu peito.
A vista escurece levemente e uma ânsia de arrepios me embriaga.
O caminho incerto está logo ali, bastando apenas que eu dê o primeiro passo, e tal como infante a aprender a andar cambaleio em direção ao infinito de mundos que a vida me oferece.
O medo me envolve, aquele medo tão conhecido.
Aquele medo, ali, me deixando em vias de desconstrução.
E eis que o quê de sei lá o quê me empurra e sigo adiante, passo por passo numa luta comigo mesma entre parar e seguir.
O medo estará sempre ali, a me espreitar, assim como aquele quê que carinhosamente apelido de EU.
Tem dias que o medo me vence, noutros vence o EU.

Hoje sou toda EU.

Comentários

  1. Esse texto reflete a realidade de muitas pessoas, mas que essas não sabem expressar realmente o que sentem.
    Parabéns por vencer seu medo e por nos fazer refletir sobre essa triste realidade.

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